A intervenção de Mkhaitir foi, em parte, pessoal: em 2014, ele foi preso sob os crimes de “blasfêmia” e “apostasia” , por publicar material que criticava o sistema de discriminação de castas e escravidão na Mauritânia. Estima-se que , na Mauritânia, 90,000 pessoas vivam em situação de escravidão (dados de 2018), sendo as mulheres e crianças da etnia Haratin as mais afetadas.
Inicialmente condenado à morte, Mkhaitir só foi libertado após 6 anos de prisão e, desde então, mudou-se para o exterior. A Humanists International fez campanha pela sua libertação na ONU durante o período em que esteve detido.

Cheick Mkhaitir faz a sua intervenção
Na declaração , proferida em árabe, Mkhaitir explicou como, “nos anos que se seguiram à [sua] prisão, o governo da Mauritânia tornou-se ainda mais repressivo”. Ele fez referência a uma alteração ao Código Penal de 2018, que tornou obrigatória a pena de morte para crimes de apostasia e blasfêmia.
Mkhaitir também criticou a Mauritânia pela perseguição a ativistas antiescravidão e defensores dos direitos humanos, muitos dos quais são sujeitos a prisões e detenções arbitrárias, frequentemente sob acusações politizadas de "blasfêmia", por " incitar o ódio" ou "fazer declarações contrárias à doutrina oficial da República Islâmica da Mauritânia ", de acordo com a Lei de Não Discriminação e Criminalização do Discurso de Ódio de 2018.
Durante a sua revisão, a Mauritânia não aceitou recomendações para descriminalizar a apostasia e a blasfémia, ou para abolir a pena de morte. A título de explicação, a delegação simplesmente disse à ONU que “os estrangeiros na Mauritânia são livres de praticar as suas próprias religiões”.
A declaração de Mkhaitir foi proferida durante a adopção do relatório da Revisão Periódica Universal (UPR) da Mauritânia no Conselho de Direitos Humanos da ONU, um processo que examina o desempenho em matéria de direitos humanos de todos os 193 Estados-Membros da ONU a cada 5 anos. A próxima revisão da Mauritânia será em 2025.