Edifício da Comissão Europeia

A Humanists International insta a Comissão Europeia a garantir que as proteções dos direitos humanos não sejam perdidas na simplificação da UE.

  • Tipo de postagem / Notícias sobre Advocacia
  • Data / 18 Março de 2026

A Humanists International apresentou um parecer formal à Comissão Europeia relativamente à proposta do "Regulamento Digital Omnibus", alertando que a "simplificação" da regulamentação digital não deve ocorrer à custa dos direitos humanos fundamentais, da privacidade dos dados e da dignidade humana.

Na sua submissãoA organização representativa global do movimento humanista argumentou que o foco atual da Comissão na redução dos custos de conformidade para as empresas ignora os custos humanos significativos suportados pelos indivíduos quando as proteções são enfraquecidas. A organização enfatizou que a eficiência regulatória deve servir, e não prejudicar, os direitos das pessoas sujeitas a decisões automatizadas, dos trabalhadores em ambientes gerenciados por algoritmos e dos cidadãos cujas vidas digitais são cada vez mais monetizadas.

Uma das principais preocupações levantadas na submissão é a proposta de alteração da definição de “dados pessoais” no Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD). A proposta caminha para um “padrão subjetivo”, segundo o qual os dados podem não ser considerados “pessoais” se um controlador de dados específico alegar que não consegue identificar o indivíduo – mesmo que outro destinatário desses mesmos dados consiga.

A Humanists International alerta que essa mudança entra em conflito com o direito internacional dos direitos humanos, que exige uma avaliação objetiva de todo o ambiente de processamento. Ao restringir essa definição, a UE corre o risco de criar um impasse em que os indivíduos perdem o direito de acessar ou contestar o uso de seus dados simplesmente porque um controlador os classifica como não pessoais.

A organização também pediu a revogação de uma nova disposição que concederia à Comissão Europeia o poder de declarar certos dados pseudonimizados como “não pessoais”. A Humanists International manifestou alarme com o fato de isso centralizar a tomada de decisões em um processo político vulnerável ao lobby da indústria e enfraquecer a proteção dos defensores dos direitos humanos.

A petição destaca ainda o perigo de enfraquecer as proteções contra a tomada de decisões automatizada (ADM). As alterações propostas mudariam a postura do RGPD de uma “proibição com exceções” para uma lista de casos permitidos, ao mesmo tempo que esvaziariam o “teste de necessidade” para contratos. A Humanists International argumenta que os sistemas de ADM levantam preocupações significativas em relação aos direitos humanos no que diz respeito à privacidade e à proporcionalidade. O enfraquecimento desses testes permite que as empresas priorizem a conveniência econômica em detrimento dos métodos menos intrusivos de processamento de dados, esvaziando o processo de revisão substancial exigido pela Carta dos Direitos Fundamentais.

Enraizado no Declaração de Luxemburgo sobre Inteligência Artificial e Valores HumanosA Humanists International, em sua petição, insta a Comissão a manter seu compromisso com o Tratado da União Europeia e a Convenção Europeia dos Direitos Humanos. A organização conclui que qualquer esforço para simplificar o quadro legislativo digital deve levar em consideração os custos para os direitos fundamentais, em vez de descartar essas alterações como meramente técnicas. A organização se alia a importantes grupos de direitos digitais, incluindo... noyb.eu e EDRi, ao pedir que a Comissão retire as modificações prejudiciais propostas.


Foto por Carlos Campbell on Unsplash

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